-Israel inicia comemorações dos 60 anos de sua fundação

Festas e eventos celebram aniversário segundo calendário lunar judeu; palestinos marcarão data com protestos

Israel inicia nesta quinta-feira, 8, as comemorações dos 60 anos de sua fundação com festas por todo o país. Oficialmente as celebrações tiveram início na noite de quarta-feira, quando encerrou um período de 24 horas decretado para lembrar os soldados que morreram defendendo o país. Foram realizadas grandes festas nas ruas de Jerusalém, Haifa e Tel Aviv, com a presença de músicos e fogos de artifício. Nesta quinta-feira, estão previstas exibições da Força Aérea na capital israelense.

O Estado de Israel foi proclamado no dia 14 de maio de 1948, segundo o calendário gregoriano. Mas, segundo o calendário lunar judaico, os 60 anos são completados nesta quinta-feira. O país foi fundado três anos depois do final da Segunda Guerra Mundial, na qual milhões de judeus foram exterminados, e seis meses após a ONU ter aprovado a partilha do território que era conhecido como Palestina entre o povo judeu e árabe.

No conflito que se seguiu, calcula-se que 700 milhões de palestinos deixaram a região, tornando-se refugiados. O número atual de refugiados palestinos é calculado em mais de 4 milhões. O direito ao retorno é uma das exigências dos palestinos para a resolução do conflito com os israelenses. A criação do Estado israelense é conhecida como Nakba (tragédia) pelos palestinos e deve ser marcada por protestos e manifestações em territórios palestinos na próxima semana.

Árabes israelenses (que se encontravam em Israel quando da fundação em 48 e se tornaram cidadãos do país) hoje representam 20% da população. Grande parte deles afirma que se recusa a celebrar o aniversário israelense, em solidariedade com os palestinos. Pesquisas de opinião pública sugerem que os israelenses, por sua vez, tem uma percepção cada vez mais negativa dos árabes israelenses.

Israel aguarda, na próxima semana, a visita do presidente americano George W. Bush, que depois seguirá para a Arábia Saudita e o Egito, onde deve se encontrar com o presidente palestino Mahmoud Abbas. Já confirmaram presença também em Israel o ex-premiê britânico Tony Blair, o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev, além do prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel, o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger, e o magnata Rupert Murdoch.

“Esses são dias felizes, para se passar com amigos e a família, com muita música para celebrar nossas tradições judaicas”, disse o artista Eliram, em Jerusalém.

Pouco mais velho do que o país, Eliram veio jovem do Irã, onde nasceu, para ajudar a concretizar o sonho de um Estado judeu. “Se exagera um pouco a ameaça que o Irã representa”, disse ele à BBC Brasil. “A retórica dos políticos iranianos atuais pode ser dura, mas eles vão passar. Irã e Israel vão permanecer”, afirma.

O antagonismo com o Irã é apenas um dos problemas que Israel enfrenta, tanto interna como externamente. Desde sua fundação, o país já enfrentou pelo menos seis guerras com países vizinhos, além de conflitos constantes com militantes palestinos. “Nossa batalha tem sido longa. No entanto, é paz e não a guerra o que queremos”, disse o primeiro-ministro Ehud Olmert na quarta-feira. A existência de Israel como nação depende, diz ele de sua “vontade e habilidade” de se defender. Mas Olmert disse que há também “um desejo de assumir compromissos”.

Fonte: Estado de São Paulo

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