Igrejas evangélicas e a mídia no Brasil

Por Adelto Gonçalves em 26/2/2008

Com o tema Igrejas evangélicas e a mídia no Brasil: a abordagem da mídia em relação às igrejas evangélicas, a jornalista Eliana Motta discutiu em seu Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado à Faculdade de Comunicação Social e Artes do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), de Santos, SP, o comportamento ético das revistas semanais Veja e Época em suas reportagens sobre as igrejas evangélicas, independente de denominação. O estudo abrangeu o período de 1997 a 2007 e foi orientado por mim.

Segundo a jornalista, constatou-se, com clareza, que as revistas abordam o segmento evangélico, especialmente as igrejas Universal do Reino de Deus e Renascer em Cristo, de maneira preconceituosa devido ao seu crescimento nos campos midiático, político e no mercado fonográfico, entre outros. “O poder econômico, proporcionado por fiéis, é o grande gancho que alguns jornalistas encontram para endossar denúncias, sem que, na maioria, a parte atingida seja sequer ouvida e sua versão publicada”, disse.

Munida de técnicas de captação de informação e de metodologias científicas, a jornalista relacionou e comparou reportagens que considerou “tendenciosas, preconceituosas e eivadas de agressões pessoais que tiveram como conseqüência punição jurídica”.

Assassinado por ser judeu

Eliana entrevistou líderes religiosos, fiéis, não fiéis, jornalistas, advogados, sociólogos e estudiosos do fenômeno evangélico. O jornalista Carlos Brickmann, 45 anos de carreira, um dos entrevistados, acusou a elite de procurar discriminar igrejas evangélicas, afirmando que essas práticas não podem ser aceitas em momento algum. “Vejo, no caso da Igreja Renascer, um típico episódio de desvio de conduta do jornalismo”, disse. “Todas as igrejas se mantêm graças às contribuições de seus fiéis, o que é ótimo, pois não se mantêm por meio do Estado”, afirmou.

Brickmann lembrou que pouco adianta ao acusado recorrer à Justiça. “O resultado do direito de resposta pode sair daqui a dez anos”, disse. “Não é possível reparar o estrago; o dano causado pela palavra é permanente”, afirmou, lembrando que, quando sai a decisão da Justiça, a população não lembra mais do caso. “Além disso, a sentença é publicada na íntegra, com toda a sua formalidade, sem título e, dessa forma, não há quem a leia.”

Ex-editor de Internacional da Folha de S.Paulo e do Jornal da Tarde, Brickmann disse que, como judeu, sabe muito bem o que é perseguição religiosa. “Sabemos como começa, mas nunca como termina”, afirmou. “Tenho visto algumas vezes esse tipo de conduta terminar de forma trágica. Estou vendo, hoje em dia, cristãos serem massacrados no Sudão, vi a Etiópia ser invadida por ser cristã e no Brasil vi um jornalista (Vladimir Herzog) preso, acusado de comunista, ser assassinado por ser judeu”, declarou.

Erro e preconceito

Com base nos depoimentos que colheu, a jornalista Eliana Motta defendeu a necessidade de um debate amplo na sociedade e na academia, pois entende que “a ética é um conjunto de virtudes que são arraigadas na formação do caráter do indivíduo, independente da profissão que exerce”. E lembrou que “o profissional de comunicação, quando é desprovido de preceitos básicos de respeito, fere a ética e a Constituição, além de infringir leis e, em conseqüência, expor pessoas e organizações, fazendo o papel de juiz, condenando e rotulando pessoas e grupos religiosos, na ânsia de vender um produto, por meio de escândalos e denúncias, de forma desrespeitosa”.

Para Eliana, no Estado de direito é fundamental a liberdade de expressão, já que o jornalista está a serviço da sociedade. “Hoje, há um desserviço por parte de alguns profissionais que insistem na prática de um jornalismo sensacionalista, que não se limita às igrejas evangélicas, mas alcança outras áreas da sociedade que são abordadas de forma errônea e preconceituosa”, disse.

Fonte: Observatório da Imprensa

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